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Fala do Especialista. Engorda de Boi: Novas tecnologias para confinamento credenciam região de Irecê como potencial polo de engorda de bovinos

Irecê é um polo de agricultura irrigada consolidado sendo hoje grande produtor de cebola, cenoura, beterraba, tomate. Normalmente os plantios destas olerícolas se concentram no primeiro semestre, diminuindo plantios no segundo semestre visto que os preços caem neste período, é aí que confinamento de bovinos se configura como excelente alternativa para o segundo semestre, pois tradicionalmente o preço da arroba do boi tem seu maior preço no final do ano.

O grande entrave em se realizar confinamento no semiárido é a dificuldade em se produzir o volumoso. Com essas novas tecnologias para confinamento essa dificuldade está superada, visto que com o uso destas novas tecnologias a necessidade de volumoso diminui sensivelmente, o que coloca a região de Irecê como potencial polo de engorda de bovinos. O irrigante poderá fazer opção por engordar boi no segundo semestre em sistema de confinamento sem a necessidade de ocupar a área da sua fazenda, pois o boi será engordado em curral ou piquete com área de apenas 20 m ² por animal instalado.

Para que a região de Irecê se fortaleça como novo polo de engorda de boi é preciso que o criador continue utilizando as tecnologias já existentes nas suas fazendas. A pecuária de corte no Brasil passou de uma fase de expansão de área (onde o foco do produtor era comprar terra) para uma fase onde o foco é engordar boi na menor área possível. Isso tem sido altamente viável e comprovadamente rentável, porém a rentabilidade na pecuária de corte é bem diferente da rentabilidade de agricultura irrigada de olerícolas, o que marca características diferentes: OLERÍCOLAS – alto risco e alta rentabilidade, BOI GORDO – baixo risco e baixa rentabilidade. Este negócio tem seu potencial numa escala de produção onde o número de bois engordados definem os ganhos. No panorama atual a rentabilidade de uma engorda nos novos sistemas de confinamento varia entre 4 a 6% ao mês, em números médios o faturamento líquido para 01 boi engordado pode chegar entre R$200,00 a R$250,00 por boi confinado. O lucro que se obtinha nas décadas de 70 e 80 não volta mais; aumentar taxa de ganho de peso é mais fácil que aumentar lotação.

O boi gordo sempre foi uma atividade de baixo risco e liquidez fácil, na história do agronegócio brasileiro. Em nenhum momento a pecuária bovina passou por fase de quebradeira, muito comum em outras atividades rurais como os ciclos da laranja, c do café, e da soja. O boi tem se mantido num patamar estável sem grandes altas nem grandes baixas no preço da arroba; o Brasil hoje se destaca nas exportações de carne bovina para e Ásia Europa, porém é no mercado interno o seu grande potencial.

As duas tecnologias disponíveis possibilitam a pequenos, médios e grandes produtores engordar boi, sem necessidade de investimento alto em instalações e maquinários, sendo possível fazer a engorda com menor quantidade de volumoso. São duas rações concentradas diferentes: FOSBOVI CONFINAMENTO 10 e ENGORDIM. O grande diferencial entre as duas é que o ENGORDIM utiliza volumoso apenas nos primeiros 15 dias do confinamento, na chamada fase de adaptação onde o criador fornece uma quantidade mínima de volumoso (6 kg de capim/dia) preparando animal para utilização apenas ração concentrada ENGORDIM + Milho em grão, na proporção 15% ENGORDIM e 85% milho grão inteiro.

Com ganho de peso acima de 1,5 kg/dia comprovados em confinamentos aqui na região de Irecê, é possível engordar o boi em 70 dias. Por não utilizar o volumoso a partir do 15° dia e apenas 8 kg/boi/dia da mistura ENGORDIM + Milho grão torna o manejo muito fácil. Esta é uma tecnologia desenvolvida nos EUA na década de 80 e trazida para o Brasil em 2007 pela AGROCRIA que juntamente com a Universidade Federal de Goiás realizou um detalhamento técnico e adaptou a tecnologia para as condições de Brasil e em 2009 lançou o produto no mercado nacional tornando-se um sucesso absoluto no Centro Oeste brasileiro. A Geocomercial passou a ser representante comercial do ENGORDIM capacitando sua equipe de veterinários para realizar treinamentos em confinamentos no estado de Goiás. Na ocasião visitando um confinamento de 650 animais, questionei ao proprietário o porque de utilizar ENGORDIM se ele tinha volumoso na fazenda, o mesmo respondeu que essa tecnologia possibilita reservar as pastagens para os animais em reprodução, cria e recria. Naquele momento me questionei: se o pecuarista goiano dispondo de volumoso na fazenda e adota o uso do ENGORDIM, porque nós pecuaristas da região de Irecê ainda relutamos em adotar tal tecnologia?

No caso do FOSBOVI CONFINAMENTO 10 não dispensa o volumoso, porém reduz bastante a quantidade a ser fornecida aos animais.

CONFINAMENTO 10 é um núcleo composto de fonte de proteína, minerais, vitamina e promotor de crescimento com alta eficiência alimentar; deve ser misturado ao milho triturado; na proporção de 10% do Fosbovi confinamento 10 e 90% de milho triturado; ganhos de peso em torno de 1,3kg/dia e requer um período de 85 a 90 dias de confinamento; por não dispensar volumoso é preciso que o pecuarista prepare o volumoso para só então iniciar o confinamento, algo em torno de 2.000 kg/animal instalado.

As duas tecnologias se adaptam perfeitamente às nossas condições climáticas e a sua implantação é de fácil manejo necessitando apenas de alguns ajustes na alimentação. Os detalhes técnicos ou uma análise econômica poderão ser adquiridos gratuitamente pelos criadores no departamento técnico das Lojas Geocomercial.

Evangy Gonçalves de Andrade

Méd. Veterinário - Responsável Técnico Lojas Geocomercial.

Tel.: 74-3641-3377 / 74-9974-9746